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Capa provisória do livro O Sagrado de Quintal, de Inácio da Silveira

Espiritualidade · História das Religiões

O Sagrado de Quintal

Religiosidade popular no Rio de Janeiro e no Brasil

por Inácio da Silveira

No Brasil, a fronteira entre o sagrado da igreja e o sagrado do quintal nunca foi firme. A mesma pessoa acende vela para santo, planta espada-de-são-jorge na entrada, sobe de joelhos a escadaria da Penha em outubro e sabe que quebranto se corta com galho de arruda. Nada disso está no catecismo. Tudo isso é religião.

Este livro é uma travessia por essa fé que ninguém organizou e que ninguém conseguiu extinguir — com o Rio de Janeiro no centro, porque foi aqui que as três matrizes da religiosidade brasileira se encontraram com mais atrito e mais invenção: o catolicismo ibérico que chegou sem padres suficientes, as muitas Áfricas trazidas pelo tráfico, e o que restou das cosmologias indígenas.

A rota começa nas matrizes e no que a palavra sincretismo esconde. Passa pelos santos da cidade — São Sebastião, que é padroeiro e quase ninguém celebra; Nossa Senhora da Penha e seus degraus; São Jorge, que em 23 de abril fecha o comércio e enche a Quinta da Boa Vista. Percorre o calendário: a Folia de Reis, o Carnaval como rito, as fogueiras de junho, a Festa da Penha onde a promessa e o samba dividiram o mesmo terreiro desde o século XIX, o réveillon de Iemanjá em Copacabana.

Depois entra na casa: o oratório, a promessa, o ex-voto, a benzedeira e seu herbário, os banhos e as defumações. E na rua: a macumba e o peso da palavra, a Umbanda e seu mito de origem em Neves, os caboclos, os pretos-velhos, Exu e a pombagira, Zé Pelintra. O Candomblé que subiu da Bahia. E as fronteiras onde tudo isso hoje se atrita — o espiritismo, o pentecostalismo, a intolerância que virou violência, e uma história longa de repressão legal que raramente se conta.

Não é um livro de devoção nem de denúncia. É um registro: o que se faz, onde se faz, de onde veio e por que sobreviveu.

“Antes dos comboios da Estrada de Ferro eram 50.000 os devotos; hoje não fica mentiroso quem os calcula em 120.000.”Jornal O Paiz sobre a Festa da Penha, 1897

Para quem é este livro

  • Para quem tem essa memória em casa — uma avó que benzia, uma promessa que a família pagou — e quer entender de onde veio.
  • Para quem estuda religiosidade popular, folclore ou história das religiões no Brasil e procura um panorama organizado, com o Rio como fio condutor.
  • Para quem trabalha com cultura, turismo ou educação na cidade e precisa entender o que está vendo.

Antes de comprar, saiba: O livro descreve práticas religiosas; não ensina a fazê-las e não toma partido sobre a eficácia de nenhuma. Quem procura um manual de rezas ou simpatias vai se decepcionar.

Categoria
Espiritualidade · História das Religiões
Publicação
Previsto para 2026
Páginas
277 (previsto)
Formatos
Impresso · e-book em PDF e ePub
Idioma
Português (Brasil)

Lançamento

  • Ainda não está à venda O livro está em preparação. A capa acima é provisória.
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